08/07/2026: Defesa de doutorado de Umberto Oliveira: "Impactos das Mudanças Climáticas na Distribuição dos Corais Construtores de Recifes"

É com grande satisfação que convidamos a comunidade acadêmica para a defesa pública de doutorado de Umberto Diego Rodrigues de Oliveira, que apresentará a tese "Impactos das Mudanças Climáticas na Distribuição dos Corais Construtores de Recifes".
DISCENTE : Umberto Diego Rodrigues de Oliveira
DATA : 08/07/2026
HORA: 09:00
LOCAL: Sala 106 STI
TÍTULO: Impactos das Mudanças Climáticas na Distribuição dos Corais Construtores de Recifes
Também será possível assistir à defesa remotamente; quem tiver interesse, pode entrar em contato com o orientador, Prof. Dr. Bruno Vilela, pelo email bruno.vilela@ufba.br .
MEMBROS DA BANCA:
Bruno Vilela (Orientador; UFBA), Igor Cristino Cruz (UFBA), Pavel Dodonov (UFBA), Paula Braga Gomes (UFRPE), Bruno Roberto Ribeiro (Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável)
RESUMO:
As mudanças climáticas têm promovido alterações rápidas nas condições ambientais marinhas, especialmente por meio do aumento da temperatura da superfície do mar e da acidificação dos oceanos, fatores que afetam diretamente a fisiologia, a sobrevivência e a distribuição dos corais escleractíneos. Como consequência, espera-se que essas espécies respondam por meio de contrações, expansões ou deslocamentos de suas áreas de ocorrência. Neste sentido utilizamos duas abordagens para investigar os efeitos climáticos na distribuição dos corais escleractíneos. O primeiro capítulo investiga a dinâmica do nicho ecológico e da distribuição espacial de corais recifais ao longo do tempo geológico, utilizando registros fósseis integrados à modelagem de nicho. Os resultados indicam predominância de conservadorismo de nicho, com manutenção das preferências ambientais ao longo de milhares de anos, combinada a eventos de expansão geográfica. Esses achados sugerem que, em escalas temporais longas, os corais apresentam capacidade de persistência e redistribuição espacial, desde que as mudanças ambientais ocorram de forma gradual. O segundo capítulo avalia a distribuição atual e futura de corais escleractíneos em escala global, com base em 703 espécies e projeções ao longo do século XXI sob diferentes cenários climáticos. A biodiversidade atual encontra-se concentrada nas regiões tropicais, especialmente no Indo-Pacífico Central, e associada também a ambientes mesofóticos. As projeções indicam redução da adequabilidade ambiental e contração das distribuições potenciais, mais intensas a partir de meados do século e sob cenários de altas emissões. As análises de risco baseadas em área de ocupação mostram mudanças limitadas, sugerindo que esse critério isolado pode subestimar a vulnerabilidade das espécies. Além disso, as hipóteses de refúgios climáticos não são suportadas, uma vez que tanto recifes profundos quanto regiões de altas latitudes apresentam declínios consistentes de biodiversidade ao longo do tempo. Em conjunto, os capítulos evidenciam um contraste entre a estabilidade observada em escalas geológicas e a rápida reorganização projetada para o futuro próximo, indicando que a velocidade das mudanças climáticas contemporâneas pode exceder a capacidade de resposta dos corais, limitando sua persistência frente às transformações ambientais em curso.


